{"id":3568,"date":"2018-10-31T16:21:55","date_gmt":"2018-10-31T16:21:55","guid":{"rendered":"https:\/\/confrariadesantaluzia.pt\/blog\/2018\/10\/31\/100-o-aniversario-do-voto-de-peregrinar-anualmente-ao-monte-de-santa-luzia\/"},"modified":"2024-01-24T16:57:47","modified_gmt":"2024-01-24T15:57:47","slug":"100-o-aniversario-do-voto-de-peregrinar-anualmente-ao-monte-de-santa-luzia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/templosantaluzia.org\/es\/blog\/2018\/10\/31\/100-o-aniversario-do-voto-de-peregrinar-anualmente-ao-monte-de-santa-luzia\/","title":{"rendered":"100.\u00ba ANIVERS\u00c1RIO DO VOTO DE PEREGRINAR ANUALMENTE AO MONTE DE SANTA LUZIA"},"content":{"rendered":"<p><strong>O voto da cidade<\/strong><\/p>\n<p>\u00abEra em Outubro de 1918. A cidade de Viana estava contristada pelo luto e sofrimento que a <em>Pneum\u00f3nica<\/em> lev\u00e1ra \u00e0s suas casas. Andavam todos apavorados com o incremento da epidemia e chadas, ruas desertas, a vida comercial inteiramente paralizada, os ent\u00earros faziam-se de noite, \u00e0 mesma hora e sem toque de sinos, para n\u00e3o assustar os que ainda sobreviviam.<\/p>\n<p>(\u2026)<\/p>\n<p>Por motivos particulares \u00e9 que s\u00f3 no dia 7 de Novembro de 1918 principiou nas duas igrejas paroquiais desta cidade um tr\u00edduo de preces afim de implorar do Alt\u00edssimo o t\u00earmo da epidemia.<\/p>\n<p>No domingo, 10 de Novembro, \u00e0s 4 horas da tarde, sa\u00eda da igreja de San-Domingos uma prociss\u00e3o de penit\u00eancia com o SS.<sup>mo<\/sup> Sacramento, e durante ela se rezaram as ladainhas de Todos-os-Santos, do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus e o ros\u00e1rio.<\/p>\n<p>A prociss\u00e3o andou em volta da cidade para recolher no santu\u00e1rio de Nossa Senhora de Agonia.<\/p>\n<p>Era ao fim da tarde. O Sol j\u00e1 mergulhava no mar os seus \u00faltimos raios, quando a prociss\u00e3o chegou ao seu t\u00earmo.<\/p>\n<p>No Campo de D. Fernando, a multid\u00e3o, entre a qual se encontrava muitos convalescentes que n\u00e3o podiam ainda reprimir os restos da tosse que lhes escangalhava o peito, reunia-se num bloco de milhares de pessoas. Por entre elas corria a triste not\u00edcia do rec\u00e9m-falecimento de mais duas v\u00edtimas ceifadas pela terr\u00edvel mol\u00e9stia.<\/p>\n<p>Era de abatimento a fisionomia de todos os rostos, e os cora\u00e7\u00f5es estavam tristes como a noite que j\u00e1 pela terra estendia o seu negro manto. Os fi\u00e9is ajoelhavam-se s\u00f4bre a erva ressequida para cantar <em>Tanto ergo<\/em> e receber a B\u00ean\u00e7\u00e3o do SS.<sup>mo<\/sup> Sacramento, que do adro de Nossa Senhora da Agonia ia ser lan\u00e7ada s\u00f4bre o povo. Viam-se l\u00e1grimas a deslizar pelas faces, quando, no meio de um religioso silencio, umm sacerdote pronunciou em nome de todos a consagra\u00e7\u00e3o ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, dizendo bem alto que o povo de Viana ali rendido e humilhado aos p\u00e9s da Sagrada H\u00f3stia, prometia ir no futuro ver\u00e3o, em piedosa romagem \u00e0 montanha de Santa Luzia, consagrar-se novamente ao Cora\u00e7\u00e3o amante do nosso ador\u00e1vel Salvador, se Ele pusesse t\u00earmo ao terr\u00edvel flagelo e n\u00e3o permitisse que s\u00f4bre esta terra viesse outra calamidade semelhante.<\/p>\n<p>As duas v\u00edtimas daquela tarde foram, nesta cidade, as \u00faltimas colhidas pela epidemia. Cessou a peste, que at\u00e9 hoje ainda n\u00e3o nos tornou a visitar.<\/p>\n<p>O Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus ouviu aquelas s\u00faplicas e s\u00f3 restava que o povo da cidade cumprisse o que prometeu.<\/p>\n<p>No ver\u00e3o de 1919, a-pesar-de repetidas inst\u00e2ncias de uma ilustre comiss\u00e3o, a autoridade civil n\u00e3o consentiu que Viana cumprisse o seu dever.<\/p>\n<p>Em Setembro d\u00easse mesmo ano constituiu-se uma grande comiss\u00e3o formada pelas senhoras da mais alta respeitabilidade no concelho e foi ter uma audi\u00eancia com o ex.<sup>mo<\/sup> sr. governador civil. Exp\u00f4s-lhe a comiss\u00e3o o fim que tinha em vista, e S. Ex.\u00aa, prometendo uma resposta definitiva, veio depois dizer que n\u00e3o consentia que se fizesse a referida peregrina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Passou-se um ano, e em Maio de 1920 foram ter com o sr. governador civil e disseram-lhe que noticiavam os jornais o aparecimento da <em>gripe-pneum\u00f3nica<\/em> nas ilhas da Madeira, e, como esta cidade estava em d\u00edvida para com Deus, as mesmas pessoas que no outro ano lhe tinham ido falar, <em>resolveram cumprir<\/em> ent\u00e3o a promessa da cidade, fazendo a peregrina\u00e7\u00e3o no dia 13 de Junho, domingo posterior \u00e0 festa do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus em San-Domingos.<\/p>\n<ol>\n<li>Ex.\u00aa adiou a resposta como no ano antecedente, e depois veio a dizer tamb\u00eam que n\u00e3o se podia fazer ainda a referida peregrina\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>(\u2026)<\/p>\n<p>Felizmente a promessa p\u00f4de cumprir-se no ano seguinte.<\/p>\n<p>No dia 21 de Agosto de 1921, sa\u00eda realmente a peregrina\u00e7\u00e3o da igreja de San-Domingos, pelas 7 horas da manh\u00e3 (hora oficial), e com o m\u00e1ximo brilhantismo e assist\u00eancia de milhares de fi\u00e9is chegou ao monte de Santa Luzia, onde toda a cidade renovou a sua consagra\u00e7\u00e3o ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus presente no SS.<sup>mo<\/sup> Sacramento exposto.<\/p>\n<p>Para comemorar \u00easte facto a actual Comiss\u00e3o das Obras do templo-Monumento mandou intercalar nas paredes da nova igreja uma l\u00e1pide, cujos dizeres noutro lugar reproduzimos.\u201d<\/p>\n<p>Autor: Jo\u00e3o do Monte<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ad perp\u00e9tuam rei memoriam<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>EM AGOSTO DE 1926,<\/p>\n<p>DIA DA INAUGURA\u00c7\u00c3O SOLENE DO CULTO RELIGIOSO<\/p>\n<p>NA \u00c1BSIDE D\u00caSTE TEMPLO,<\/p>\n<p>A CIDADE RENOVA A SUA CONSAGRA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>AO<\/p>\n<p>SAGRADO CORA\u00c7\u00c3O DE JESUS,<\/p>\n<p>E, DE JOELHOS,<\/p>\n<p>PROTESTA-LHE O SEU INDEL\u00c9VEL AGRADECIEMNTO<\/p>\n<p>POR A TER LIBERTADO MILAGROSAMENTE<\/p>\n<p>DA TERR\u00cdVEL EPIDEMIA DA \u00abPNEUM\u00d3NICA\u00bb<\/p>\n<p>EM 10 DE NOVEMBRO DE 1918.<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>Miseric\u00f3rdias D\u00f3mini in aeternum cantabo<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Boletim Santa Luzia<\/em><\/p>\n<p><em>N.\u00ba 5 &#8211; Viana do Castelo, 1 de Ag\u00f4sto de 1926 \u2013 Ano 1<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O voto da cidade \u00abEra em Outubro de 1918. A cidade de Viana estava contristada pelo luto e sofrimento que a Pneum\u00f3nica lev\u00e1ra \u00e0s suas casas. Andavam todos apavorados com o incremento da epidemia e chadas, ruas desertas, a vida comercial inteiramente paralizada, os ent\u00earros faziam-se de noite, \u00e0 mesma hora e sem toque de sinos, para n\u00e3o assustar os que ainda sobreviviam. (\u2026) Por motivos particulares \u00e9 que s\u00f3 no dia 7 de Novembro de 1918 principiou nas duas igrejas paroquiais desta cidade um tr\u00edduo de preces afim de implorar do Alt\u00edssimo o t\u00earmo da epidemia. No domingo, 10 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":46,"featured_media":3133,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[58,23],"tags":[],"class_list":["post-3568","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-es","category-sin-categorizar"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/templosantaluzia.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3568","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/templosantaluzia.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/templosantaluzia.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/templosantaluzia.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/46"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/templosantaluzia.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3568"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/templosantaluzia.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3568\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3570,"href":"https:\/\/templosantaluzia.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3568\/revisions\/3570"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/templosantaluzia.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3133"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/templosantaluzia.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3568"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/templosantaluzia.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3568"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/templosantaluzia.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3568"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}